Ter alguém… Estar só… Estar intermitentemente a trocar e insatisfeito. Podemos ser tudo ou não ser nada. Com uma decisão, uma escolha podemos mudar uma personalidade. O facto de se estar com alguém não significa apenas “ter”, significa pertencer e também possuir de certa forma o outro. É complexo, de facto. Contudo se não o fosse nem interesse haveria em começar a relação. Há vários tipos de “ter” e no entanto não há uma definição certa para o que este verbo realmente nos remete. Não há uma relação bonita ou feia, justa ou injusta, mediana ou de extremos, existem sim relações, e as relações são ímpares e inqualificáveis.
Porque nos chateamos com alguém mesmo sabendo que no momento seguinte nos sentiremos arrependidos, quanto mais não seja pelo facto de nos termos chateado, mesmo tendo consciência de que estávamos certos? Mais uma vez, complexo é a palavra indicada. Por vezes até nos sentimos mal por fazer algo correcto mas que traz consequências desagradáveis. Não sou cientificamente qualificado para falar deste assunto, é um facto, porem todos possuímos uma certa doutrina, derivada da nossa experiência de vida, e como tal sinto que posso falar do tema. O facto é que queremos tanto agradar que acabamos derrotados por constatar que estaremos perpetuamente aquém das expectativas. A mente, inconscientemente, cria expectativas e desejos irreais e, como tal, seremos eternamente insaciados. Se algum dia tivermos o melhor acharemos que a vida estará a ser demasiado fácil, mas afinal qual a essência de viver? Não é ser e ter o melhor? Este é o paradoxo eterno da vida.
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